Por Diana Andrade
São 3 da tarde. A Sala do Papel, no Pavilhão das Actividades, está toda decorada com trabalhos artesanais. A música vinda de um pequeno rádio torna o ambiente calmo e acolhedor. Cátia Curado, psicóloga, sentada em redor de uma mesa, elabora convites de casamento com a ajuda de oito homens que recortam moldes. À primeira vista ninguém diria que são apenas oito dos cerca de 150 utentes que o Centro Psiquiátrico de Recuperação de Arnes (CPRArnes) alberga.
Nas salas ao lado vêem-se garrafões encestados, caixas montadas, convites de casamento, ementas, … uma pluralidade de trabalhos manuais que conta com lugar reservado em várias feiras de artesanato. É na confecção destes artigos, encomendados por entidades do exterior em grandes quantias, que os doentes do CPRArnes ocupam algum do seu tempo.
Ao lado do Pavilhão das Actividades avista-se a Carpintaria. Entre madeiras e serrotes, João Basílio, carpinteiro credenciado, auxilia um utente no acabamento de um quadro de colmeias que se será colocado junto das outras dezenas já confeccionadas.
Ainda no ramo das actividades existe a residencial que complementa a vertente da autonomia pessoal.
No percurso que separa a residência dos restantes pavilhões respira-se o ar puro daquele local. Há utentes a cuidar do jardim. Além da paisagem verde, do pomar e das estufas, existe o campo de futebol onde os utentes têm aulas de Educação Física duas vezes por semana.
O relógio de Fátima Monteiro, auxiliar, marca 4 da tarde. Cabe a esta profissional supervisionar as tarefas dos utentes, assim como a higiene pessoal ou a toma da medicação. O dia de labuta já terminou para Manuel (nome fictício), que regressa à residência e trata da sua higiene pessoal. Um cheiro agradável caracteriza a sala do rés-do-chão, destinado ao centro de dia, onde Miguel (nome fictício) espera a carrinha que o conduzirá até à estação de comboio, para regressar a casa. É um dos utentes externos que frequentam o centro das 9horas às 16.20.
Aqui, além das actividades diárias, há tempo para o convívio e para o lazer.
Enquanto Fátima Monteiro efectua algumas tarefas, é surpreendida por um utente que lhe dedica uma canção, ritmada com palmas. O ambiente em Arnes é animado. O fundamental aqui é acreditar na reabilitação. Mantendo esta postura, as taxas de sucesso vão continuar elevadas.
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